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May 11th, 2015

Mortovivo telefonia imóvel

Aí estava eu sábado à tarde numa sala de espera de hospital (história desimportante, não vou perder tempo contando) quando recebo um SMS da Vivo. "Você já gastou o limite de dados do plano no mês, mande mensagem se quiser contratar mais". Tive certeza que era engano deles, porque raramente uso sequer um quarto do meu plano de 4Gb mensais.

Veio domingo e percebi que a internet no celular estava extremamente lenta. Liguei lá. Expliquei. Caiu. Não ligaram de volta. Liguei de novo. Expliquei. Caiu. Me ligaram de volta. Disseram que eu tinha mesmo esgotado - em nove dias havia supostamente baixado 5.9Gb no celular. Falei que estava errado, no meu ritmo usual de consumo demoraria alguns meses para baixar isso tudo. Passaram para o "setor técnico" onde um rapaz simpático foi verificar e descobriu que um único acesso no sábado à tarde, começando às 17h e pouco, havia consumido quase 5Gb em cerca de uma hora. Argumentei com ele que nesse horário estava numa sala de espera no hospital e, com a velocidade que a Vivo oferece, nem que eu quisesse conseguiria baixar 5Gb em uma hora. Na verdade, nem se estivesse de frente para a antena eu conseguiria. Argumentei que o contador do android fala que eu consumi 850Mb ao longo de trinta dias. Ele falou então "isso deve ser erro no nosso sistema, vou passar de volta para o comercial para que voltem sua conexão à velocidade original". Ainda perguntei "não vou ter que pagar por esses dados, né?". Ele falou "não, não vai precisar". Aguardei mais uns dez minutos de musiquinha ruim e a ligação caiu. Não me ligaram de volta.leia mais >>

April 25th

Wu wei

Wu-wei

Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,

Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.

E cada vez menos é feito

até se atingir a perfeita não ação.

Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.

E não interferindo.

Tao Te Ching 道德經 (Cap.48)

April 17th

March 10th

Cultura do conserto

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Publiquei nesta semana uma versão rápida (somente com o texto-base em inglês e sem imagens) da compilação que estou montando sobre meu período como residente na VCUQatar ano passado. O material já publicado está disponível em versão para o kindle (bem baratinho, leva aí) ou livre e grátis no meu site. Aproveitei para também fazer minha primeira experiência com o medium e publiquei lá um trecho do texto principal.

March 8th

Gambiarra: repair culture

Maker culture has gained a lot of ground in the last few years. Maybe too much, in fact. We can of course ignore those people who are only, as always, surfing the current wave of hype. They seldom have any clue of the ideas they are selling themselves with anyway. But it also feels as though everybody else is talking about maker culture. Those words are even being uttered by people who have always been opposed to what they should mean. Or is it me? Did I get it wrong all the way?

First time I read about a "maker culture", it was a sort of relief. I had finally found - or so I thought - a way to explain a number of initiatives some of us in Brazil had been involved for some years before that. Framing those things as "making" enabled us to mix critical thinking with DIY (as brilliantly put by Matt Ratto on "critical making"), proposing a sort of creative engagement that escaped the dead-ends of tedious market-driven innovation. A culture of conscious makers could recognize and promote alternative solutions and new perspectives for everyday problems, valuing distributed and collaborative approaches and seeking the common good. It would help overcoming traditional institutions and their clogged circuits of information. Local, cooperative formations would challenge the logics of global industrial capitalism, treating every human being - or small group, however loose it was - as potentially creative and productive. Industrial products that suffered of planned obsolescence would be repaired as armies of amateurs used the internet to share digital models of replacement parts. New kinds of meaning and engagement would evolve influenced by such approaches to material and cultural expression. Possibilities emerging from the free software and hacker movements would finally evert to the world of things.leia mais >>

Intro

Last year I spent two weeks as a designer in residence in Doha, hosted by the MFA in Design program at VCUQatar. The focus of the residency was working with the idea of a "repair culture" that first occurred to me while talking to members of the Bricolabs network during Pixelache Festival 2013, in Helsinki. Of course, repairing broken things is nothing new. But it seems to become less fashionable everyday in many parts of the world. Lots of economic as well as cultural issues contribute to that, at the same time as there are significant experiences resisting the disappearing of repair.

One specific concern I had was the way people are adopting the so-called "maker culture". Back in 2009, some of us were excited with the renewed interest in making and the promises of defying industrial capitalism - proposing alternatives to its heavy environmental impact, logistic costs and the fundamental drive to alienate people from the inner workings of the products they buy and discard. Currently, though, digital fabrication technologies seem to be increasingly turning into mere tools for new sorts of commercial entrepreneurship that can instead give new breath to the industrial age.

Qatar was a meaningful context to expand those thoughts. The country's economic development in high speed exacerbates the worst implications brought about by practices of contemporary post-industrial capitalism. Most people there are able to buy things and shortly throw them away. And being a country in which recycling is hardly viable, "away" may as well mean "somewhere in the desert". Or "somewhere abroad where we can't see".leia mais >>

Repair culture

Repair Culture
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Is maker culture as new and revolutionary as tech gurus lately claim? How are those practices related to the all so human creative impulse to solve problems - which has been around since the dawn of times? Has maker culture been appropriated by startup hipsters eager to become rich and famous?

Repair Culture is an outcome of my two-week period as a designer-in-residence in Doha last november, hosted by the MFA in Design program at VCUQatar. Seeking a critical take on maker culture and its current status of raw material to entrepreneurial hype, in this book I try to relate its roots to the background of critical, autonomous hacklabs and media activist groups, as well as draw a parallel with practices of brazilian digital cultures which articulate gambiarra as a social creative habit.

This first edition of Repair Culture is a shorter version, text-only. The upcoming full version will feature also reports of some experiments we've done while I was in Doha.leia mais >>

February 26th

Em extinção...

Cada vez mais difícil de achar:

  • Desodorante sem antitranspirante
  • Tempero industrial sem glutamato monossódico
  • Derivados de milho sem transgênicos
  • Água potável nas torneiras de São Paulo (essa coisa amarelada que escorre por aqui não conta)

February 24th

Rituais de chegada

No dia em que minha filha nasceu, em 2010, a felicidade me cercava. Eu chorei, transbordei de vida de um jeito que só que já sentiu entende. Mas ninguém me ofereceu um charuto. Eu nem tinha pensado nisso antes do dia, estava daquele jeito de primeiro filho que a gente flutua e as coisas vão levando, e de repente já foi e nem viu direito. Uns dias depois meu sogro trouxe uma caixa de excelentes cigarrilhas, mas já não era a mesma coisa. Tanto é que a caixa durou ainda alguns anos.

Há algumas semanas, estava eu debaixo de uma chuva leve esperando um barbeiro que se atrasara. Para fugir da garoa, entrei na tabacaria ao lado. Topei com um habano aparentemente legítimo, e decidi que ele me acompanharia na missão vindoura.

Estou, estamos, em São Paulo desde ontem. Aguardando mais uma criança que em algum momento das próximas semanas deve vir ao mundo por obra de nossa união, se possível por arte de nossas próprias mãos. Estou sumindo um pouco mais das redes nesses tempos. Mergulhando em um tipo de experiência tão antigo quanto a humanidade.

E dessa vez tenho até um habano pra comemorar quando vier o dia.

Até já.

February 13th

Rede de Fablabs em São Paulo

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O portal aprendiz publicou um artigo sobre a rede de Fablabs que a Prefeitura de São Paulo vai inaugurar este ano. Tem ali no meio algumas citações a um post meu na revista A Rede e no site Redelabs que problematiza um pouco a referência internacional de "Fablabs" (que em última instância foi articulada originalmente no Media Lab do MIT) em relação ao contexto brasileiro, em especial à gambiarra. Como falei ao jornalista do Aprendiz ontem, acho fantástico que a política de inclusão digital de São Paulo incorpore essas novas possibilidades - mas é preciso refletir bastante sobre o vocabulário e as aspirações do projeto para não acontecer de aceitar sem crítica uma série de elementos que vêm usualmente atrelados aos Fablabs em outras partes do mundo - em especial o vocabulário industrial, o impacto ambiental implícito e a divisão (internacional) do trabalho.

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