Archive - Jul 2007

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July 15th

Coloradio

Quando saio pra rua, escuto a coloradio. Acho que os transmissas deles são meio fraquinhos, não consigo pegar tão bem no meu radinho quanto no stream deles, mas tá valendo. O folheto da stock7 fala que a coloradio é administrada por anarcos, e só isso já é alguma coisa numa cidade em que esquerda e direita ainda se levam a sério. O estúdio dos caras é três ruas pra cima, do lado do mediencollege, que por sua vez parece meio caretão, mas pode ser um lugar interessante. Interessante é que o bairro aqui, Neustadt, me faz lembrar de Praga e Amsterdam numa coisa: é só sair pra caminhar que dá pra tropeçar em cantos interessantes e buracos de minhoca em geral.

Domingando

Tenho feito aulas de alemão toda manhã. Acordo às seis e meia, como, pego o bonde e vou embora. Só volto depois do meio-dia. Cansativo, mas curiosamente intenso. A língua alemã é muito maluca. Muito mais complexa que o inglês, mas por outro lado tem uma lógica estrutural bem interessante. As coisas têm lugar certo, e dependendo de como são usadas são flexionadas de forma diferente. Substantivos são uma coisa, nomes próprios são outra - Nomen e Namen, mas todos eles são escritos sempre com maiúsculas. A ordem das frases é rígida, então eu posso dizer que eu aprendo na Inlingua alemão, mas não posso dizer que aprendo alemão na Inlingua ou que na Inlingua aprendo alemão. O primeiro verbo fica sempre na segunda posição da frase, o segundo verbo (quando há) fica sempre na última. A onda de poder juntar palavras pra explicar uma idéia me faz pensar no Borges pirando naquelas metáforas da Volsunga Saga ou quando ele discorre no Tlön, Uqbar e Orbis Tertius sobre uma das línguas do planeta lá, em que não existem verbos (BolaGrandeFogoCéu pra explicar o sol, e por aí vai).
Interessante também no curso de alemão é o bando de gente do mundo todo que tem por lá - colombiano, italiano, uns ex-russos e os orientais. Um alemão um dia desses me fez entender que, obviamente, até a reunificação, a Alemanha Oriental não recebia imigrantes turcos ou portugueses como o lado Oeste, só russos, cubanos e vietnamitas. E me liguei que tem mesmo uma pá de restaurante vietnamita por aqui. Herança vermelha, daquele jeito. Ainda não aprendi nada de russo, tô me concentrando no alemão, mas pretendo. Tem uma adega só com bebidas russas perto de casa. leia mais >>

July 11th

Feisty

Depois de tentar sem sucesso uma atualização por alguns (sofridos) dias, fiz uns becapes, redimensionei uma partição da minha máquina e instalei o feisty. Subiu bonito, com suporte pra tudo, wifi, webcam, leitor de cartão de memória. Agora tô aqui brincando com um cartão USB de DVB, mas aparentemente ainda não tem TV digital aqui em dresden.

Atualizando: aproveitei a faxina no HD e instalei ainda o ubuntustudio em outra partição. Ainda não testei direito, mas já vi que o jack subiu redondo. João Habib me falou pra não confiar no kernel de baixa latência que vem com ele, mas ainda vou testar.

July 8th

Negócios

Trafika Nonstop Em Hradec Kralové, no meio da República Tcheca:

Trafika

July 5th

Mais um monte de notas perdidas no meu computador

     Do Reconhecimento de Padrões:
    - E você sabe usar uma chave de fenda também?
    - Não saio de casa sem uma.
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    Passamos alguns dias em Berlin. Cidade maluca, multicentro, aquela sensação de multicultura, bem mais que aqui. Doido que em Berlim eu não me sinto estrangeiro como em Dresden, São Paulo ou Porto Alegre. Voltas turísticas por lá, Zoo e mega-exposição de pinturas e esculturas francesas do metropolitan de NY. Fazer uso da carteira de estudante, um dos poucos bons resquícios de UAM. E também o outro lado, rolê em Kreuzberg, visita rápida à galeria Tacheles e café Zapata. Tageskarte, andar de metrô o dia inteiro, sem precisar pensar no destino. Dessa vez, evitei as bolhas nos pés por conta do tênis novo, enrolando os artelhos pequenos com esparadrapo, dica da minha bailarina. Apesar de toda a facilidade, o passeio serviu também pra me deixar feliz com Dresden por mais um motivo: se eu fosse pra Berlim, demoraria muito mais pra aprender alemão. É bem possível sobreviver por muito tempo lá só com um entschuldiegung, ich sprache nicht deutsch, ich bin brasilianer e um sorriso. Aqui as coisas não são tão fáceis, poucos falam inglês e quase ninguém entende línguas latinas. Brasil e futebol ainda aqui trazem simpatia, e olha que Pelé traz mais simpatia que Ronaldinho. Bastante gente dos quarenta pra cima fala russo, e se pans depois de alemão é mais uma língua pra eu brincar de bom dia por favor obrigado uma cerveja por favor.
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Chegando - 4

Das anotações perdidas no meu computador:

Dei uma passada com todomundodecasa no stock7, ainda não tinha começado o ruído norueguês que tava programado, saímos pra beber à beira do Elba e não voltamos. Fiquei meio travado pra conversar com as pessoas, acho que ainda tô meio pisando na ponta do pé na cidade. Mas peguei um livreto que conta as agruras deles pra conseguirem se manter no espaço, que é um imóvel da prefeitura, no terraço de um prédio em um cruzamento bem central, à beira da cidade velha, de cara pra Pirnäischer Platz. Eles pagam um aluguel em conta ali, e quase foram expulsos há alguns meses. Têm espaço garantido lá (com mais dois andares pra estúdios) pelo verão. Lendo aquilo, fiquei com mais vontade de conhecer o pessoal e articular coisas com eles, rede de bricolabs, ocupação, linux pra artistas, baixa tecnologia, volksbeamer, capacetes imersivos, bancada metarecicleira, música brasileira, se pans até aprendo um pouco de pd. Preciso garantir uns trocados pra pagar as contas básicas por uns meses e ficar brincando.

Chegando - 3

Das anotações perdidas no meu computador:

Contratei rede pra casa, mas só chega em _no mínimo_ duas semanas. Agora tô aqui na sacada minhabelasacada escaneando as redes de vizinhxs com o 4ir0dump pra tentar entrar em alguma com o 4ircr4ck. Preciso de 800.000 coisinhos, tô há uma hora aqui e só consegui pegar pouco mais de 3.000. Vai longe.

Chegando -2

Das anotações perdidas no meu computador: 

Coisas que parecem interessantes em Dresden: o diretor da EGS nasceu e aparentemente mora uma parte do ano aqui. Agora ele está em curso, e depois vai dar umas voltas, mas devo encontrá-lo em agosto. Tem também a stock7, que recebe artistas de fora pra residências curtas e daqui a pouco tem a abertura de uma nova mostra. E a Trans Media Akademie em Hellerau, que tem esse festival no fim do ano que eu quero conferir e cujo diretor me disse por email que era o único espaço que trabalhava com mídia-arte em Dresden.

Passeando - 1

 Das anotações perdidas no meu computador:

Ontem tomamos um barco que vai pelo Elba em direção a Praga, até a Suíça Saxônica, que eu já tinha visto de dentro de um trem há dois anos e ficado maluco pra conhecer. Cidadezinha pequena, mas cercada de formações rochosas de cem milhões de anos. Delícia de passeio, 3 horas de ida e 2 horas voltando pelo rio. Deu até sono. Na chegada, pôr do sol no centro de Dresden faz até esquecer o incômodo com a população careta da cidade. Já em casa, esquentei a feijoada improvisada que eu tinha preparado na noite anterior - feijão brasileiro, sem folha de louro nem farinha de mandioca, e mandando ver nos pertences alemães, laranja espanhola e chili mexicano. A costelinha de porco defumada daqui é meio sem sal, e a panela de pressão é quase uma usina de vapor, chegou até a pegar um pouco de feijão no fundo. E complementando com cerveja tcheca e cachaça de Mococa.

Chegando - 1

Das anotações perdidas no meu computador:
Ainda sem internet em casa, se pans amanhã chega, mas quatro dias passaram rápido. Ainda patinando forte no alemão. Tentei voltar no escritório de estrangeiros hoje, mas eles não trabalham segundafeira. Agora só volto lá na sexta.
Fimdesemana foi doido, a festa aqui era esquematudo, cabelos de tudo que é tipo, cerveja e gente sorridente. Livros de graça, banquinhas com todo tipo de porcaria, e gente pacas. Dub cigano roque panque e tal, cada quarteirão um embalo diferente. Policial me parou dizendo que garrafa de cerveja não pode, mas seu guarda eu vou pra casa, moro ali na esquina, liberaeu ali e tudo certo. Guardinhas simpáticos e prestativos. Nem sinal de nases, por sinal. E hoje o zelador falando que viu no jornal que 500 se feriram em brigas durante o fds, mas ninguém viu nada disso, e a cidade quer proibir a festa, já viu. O cybercafé dos africanos virou balada também, com banquinha na frente, som cerveja e umas panquecas diferentes. E a rua aqui tem uma pá de restaurante de todo canto, um é buffett oriental a 5 contos na terça e quinta. E uma gravadora. E uma loja "thc headshop" que vende só pala. E o kunsthofpassage, uma galeria que liga minha rua à paralela, cheia de intervenções e lojinhas e tal. No meio de tudo encontrei uma loja de instrumentos musicais e entrei pra comprar cordas pro meu miniviolão. Doido é que eles têm um monte de instrumentos pequenos, violões como o meu, uma Ibanez preta bonitinha, mandolins e parentes. Tinham cordas específicas pro miniviolão, um pouco mais grossas. O Mizão chega a dar medo de tão encorpado. Hora dessas eu gravo e estudiolivreio.